10 agosto 2006

Balance

A morte traz, em última análise, uma mensagem de esperança: para nós é sempre um começo, uma vida nova que segue que nasce da mudança. Um eu alternativo ao que éramos antes de tudo, antes da morte. E respirar deixa de ser um automatismo para ser uma acto de vontade no momento em que estamos perante uma urna ocupada pelo que foi um ente querido. Aquele corpo, naquele instante, deixa de ser suor, lágrimas, toque, pele, para se tornar um monte de células em decomposição. Aquele que habitava o corpo, nunca habitará o espaço exíguo de um caixão. Fica retido na memória lassa que dele guardamos, enriquecendo os nossos pensamentos de matéria única. A morte traz, em última análise, uma mensagem de esperança: dar suor, lágrimas, toque e pele às células que ainda não se decompõem.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Vivam as Mortes dos EUS... durmo com a esperança de acordar um novo eu e deixar com as ramelas e o suor nocturno aquilo q me identifiquei ontem e q já n me pertence hoje...
o meu cão nisso é perfeito

11:45 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Uma forma ao mesmo tempo suave mas objectiva da morte! Gostei.
Beijinho, Lu

10:09 da tarde  

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