19 julho 2006

Liceu

Cresci, aprendi coisas que vinham em livros e coisas que nunca ninguém escreveu. Descobri-me, descobri os outros, descobri amigos, descobri pessoas que passam mas ficam tatuadas dentro de nós. Viajei com todos, com alguns, fomos reis na Tunísia, perdemo-nos em Amsterdão, cantámos encharcados pela chuva da Sicilia, fizemos guerras de bolas de neve no Etna. Joguei matraquilhos e descobri que o meu riso pode ser letal. Recebi cartas de amor anónimas e tentei evitar que outros as escrevessem. Fui para a rua pela primeira vez e pela segunda e pela terceira, até que se tornou num hábito das aulas de Latim. Fui para a rua por querer usar um cachecol como quem usa uma burkha. Fui estúpida, tão estúpida e feliz, tão feliz. Apaixonei-me pela primeira vez e tive pequenos crushs de cinco em cinco minutos. O meu quarto foi cenário de lanches intermináveis em que conspirávamos sobre coisas pequenas, todos os dias as mesmas, numa valsa rotineira de mal-dizer. Perdi eleições, ganhei eleições. Refilei com o mundo e pelo mundo e contra as provas globais - com as quais até hoje concordo. Andei de patins, parti-me a jogar volei e arrastei-me em provas de corta-mato. Criámos uma equipa de futebol feminino e apostámos nela as nossas canelas que sofreram com a ausência de jeito. Fizemos festas, muitas festas. Benzina, Whispers, T. Era tudo nosso. Ouvia música de merda e achava que aquilo era do melhor. Tinha tempo, tanto tempo, para ler, arrastar-me, passear, falar ao telefone, ou não fazer nada.

Era nosso aquele tempo, é nosso aquele tempo. Até hoje.

4 Comments:

Blogger mitro said...

Pois...pois...pois...

12:48 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

(Lic)eu também. Mais desvio menos desvio, mais Latim menos Latim.

2:27 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

ora aí estão tempos que ainda me fazem feliz. E isto só de os recordar!
As vezes, por causa de qualquer coisa, lembro-me de um "episódio" ou outro da série "Pedro Nunes" e riu-me.
Garanto que a vergonha de uma pessoa se rir sozinha á frente de desconhecidos não chega aos calcanhares do embaraço de o fazer á frente de conhecidos, porque acabo inevitavelmente a contar a história e expressão seráfica da audiência quando acabo dá-me vontade de colar a boca com super cola e rezar para que da próxima vez que me lembre do que quer que seja não emita qualquer tipo de som.
Fá mal..,são estupidezes, mas são minhas!

3:39 da tarde  
Blogger Joana said...

Lembras-te quando a Rute apanhou com o calhau na cabeça???

4:39 da tarde  

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